Principais pontos

O que é o endolaser

Endolaser é o nome popular da ablação térmica endovenosa realizada com laser. A ideia central é simples de enunciar e sofisticada de executar: em vez de retirar a veia doente do corpo, trata-se essa veia por dentro, fazendo com que ela se feche e deixe de participar da circulação.

Para entender por que isso resolve alguma coisa, vale lembrar o problema. Nas varizes, veias superficiais perderam a competência das válvulas e passaram a permitir que o sangue reflua, em vez de subir. Uma veia que reflui não está ajudando a circulação: está sobrecarregando o sistema. Quando esse segmento é fechado, o sangue passa a ser drenado pelas veias saudáveis, especialmente pelo sistema venoso profundo, que já é responsável pela maior parte do retorno.

O endolaser faz parte da família das técnicas endovenosas térmicas, que inclui também a radiofrequência. Todas compartilham o mesmo princípio — entregar energia dentro do vaso para causar sua oclusão — e diferem nos detalhes de como essa energia é gerada e distribuída.

Como a energia atua na veia

A fibra de laser emite energia luminosa que é absorvida pelo sangue e pela parede do vaso e convertida em calor. Esse calor provoca lesão controlada da camada interna da veia, desencadeando uma resposta de contração e fibrose. Ao longo das semanas seguintes, o segmento tratado deixa de conduzir sangue e é progressivamente reabsorvido pelo organismo, transformando-se em um cordão fibroso.

Esse é um ponto que costuma gerar dúvida: a veia não é removida, e também não fica solta dentro da perna. Ela é fechada e reabsorvida ao longo do tempo pelo próprio corpo.

Quem pode ser candidato

A indicação não nasce da aparência da perna, e sim do ultrassom Doppler venoso, que mostra onde está o refluxo, qual o calibre das veias, qual o trajeto e a profundidade de cada segmento.

Em linhas gerais, costumam ser considerados candidatos pacientes com:

Por outro lado, existem situações em que a técnica pode não ser a mais adequada: veias muito tortuosas ou muito superficiais em relação à pele, determinados padrões anatômicos, trombose recente, infecção ativa na perna, gestação e condições clínicas específicas. Também é importante saber que o endolaser trata o tronco safeno insuficiente; ramos varicosos e vasinhos superficiais costumam exigir abordagens complementares.

Nada disso se define por texto. Duas pernas parecidas por fora podem ter mapas venosos completamente diferentes, e é o mapa que decide.

Como é o procedimento, passo a passo

Conhecer a sequência reduz a ansiedade e ajuda você a fazer perguntas melhores na consulta.

  1. Mapeamento e marcação. Antes de começar, o trajeto da veia é mapeado com ultrassom e marcado na pele, com o paciente em pé, posição em que as veias se enchem e ficam mais bem definidas.
  2. Posicionamento e assepsia. O paciente é posicionado na mesa e a perna recebe antissepsia e campos estéreis.
  3. Punção guiada por ultrassom. A veia é puncionada em um ponto escolhido, em geral próximo ao joelho ou à panturrilha, conforme o segmento a ser tratado. Costuma-se usar anestesia local nesse ponto.
  4. Passagem do cateter e da fibra. Um introdutor é posicionado e a fibra de laser avança por dentro da veia até a altura planejada. Toda essa etapa é acompanhada em tempo real pelo ultrassom.
  5. Conferência da ponta. A posição exata da ponta da fibra é conferida cuidadosamente antes de qualquer emissão de energia. Esse detalhe é determinante para a segurança do procedimento.
  6. Anestesia tumescente. Uma solução anestésica diluída é infiltrada ao redor de todo o trajeto da veia, também guiada por ultrassom. Ela cumpre três funções ao mesmo tempo: anestesia a região, comprime a veia contra a fibra e cria uma camada protetora entre o calor e os tecidos vizinhos, incluindo nervos e pele.
  7. Aplicação da energia. O laser é acionado enquanto a fibra é tracionada de forma controlada ao longo do trajeto, entregando energia de maneira homogênea.
  8. Tratamento complementar. Quando planejado, ramos varicosos podem ser tratados na mesma sessão, por microincisões ou por escleroterapia, conforme a estratégia definida.
  9. Curativo e compressão. Ao final, aplicam-se curativo e compressão elástica conforme orientação.
  10. Orientações e caminhada. O paciente recebe as instruções de pós-operatório, e a deambulação precoce costuma ser estimulada.

A duração varia conforme o número de segmentos tratados e os procedimentos associados. A modalidade anestésica, incluindo a possibilidade de sedação ou bloqueio, é definida pelo anestesiologista em avaliação própria.

Endolaser, cirurgia convencional e espuma: o que muda

A comparação abaixo é didática e vale em linhas gerais. Ela não substitui a discussão do seu caso, porque a técnica mais adequada depende da anatomia, do estágio da doença e do contexto clínico.

Aspecto Endolaser Cirurgia convencional Escleroterapia com espuma
Princípio Energia térmica aplicada dentro da veia Remoção cirúrgica da veia doente Agente químico que provoca reação na parede da veia
Acesso Punção guiada por ultrassom Incisões cirúrgicas Punção ou injeção guiada
Destino da veia Fecha e é reabsorvida com o tempo É retirada Fecha e é reabsorvida com o tempo
Alvo mais comum Troncos safenos com refluxo Troncos safenos, inclusive anatomias desfavoráveis a cateter Ramos varicosos, veias recidivadas, casos selecionados
Anestesia tumescente Etapa essencial da técnica Não se aplica da mesma forma Não utilizada
Observações Requer calibre e trajeto adequados Técnica consolidada e amplamente disponível Frequentemente usada como complemento

Vale reforçar uma ideia que costuma passar despercebida: essas técnicas não são concorrentes. Com frequência elas são combinadas no mesmo paciente, tratando o tronco safeno com energia térmica e os ramos com outra abordagem, em uma estratégia única desenhada a partir do ultrassom.

Cuidados no pós-procedimento

As orientações específicas são sempre da equipe que realizou o procedimento, mas alguns princípios se repetem.

Procure atendimento sem demora se surgirem dor progressiva e intensa, inchaço assimétrico de instalação rápida, vermelhidão que se espalha, febre, secreção no local da punção, falta de ar ou dor no peito.

Riscos e limites da técnica

Como qualquer procedimento, o endolaser tem riscos. Entre as possibilidades descritas estão equimoses, dor e endurecimento ao longo do trajeto tratado, alterações temporárias de sensibilidade na pele próxima ao segmento tratado, hiperpigmentação transitória sobre o trajeto, flebite superficial, queimadura cutânea e, com menor frequência, eventos tromboembólicos, incluindo extensão de trombo para o sistema profundo. A técnica de anestesia tumescente e o acompanhamento por ultrassom existem justamente para reduzir parte desses riscos.

Sobre os limites, é honesto dizer: o endolaser trata o refluxo do segmento abordado. Ele não elimina a predisposição individual à doença venosa, não impede o surgimento de novas veias ao longo dos anos e não é a abordagem para vasinhos superficiais. Também não existe garantia de oclusão permanente de todo segmento tratado — o ultrassom de controle existe exatamente para acompanhar isso. Resultados variam conforme anatomia, extensão da doença e adesão às orientações.

Conclusão

O endolaser é uma técnica endovenosa consolidada para o tratamento do refluxo em troncos safenos, que substitui a remoção da veia pelo seu fechamento controlado por energia térmica, com acesso por punção e acompanhamento por ultrassom em todas as etapas. Seus pontos fortes envolvem acessos menores e uma abordagem guiada por imagem do começo ao fim.

Ainda assim, técnica nenhuma é boa por si mesma: ela é boa quando corresponde ao problema de quem está na mesa. Se você quer saber se o endolaser faz sentido no seu caso, o caminho é uma avaliação com exame físico e ultrassom Doppler, que transforme a aparência das suas pernas em um mapa interno e permita uma decisão individual.

Perguntas frequentes

O endolaser serve para tratar vasinhos?

Não é essa a finalidade da técnica. O endolaser é voltado ao tratamento do refluxo em veias de maior calibre, especialmente troncos safenos. Vasinhos superficiais costumam exigir abordagens complementares específicas, planejadas separadamente.

Preciso de internação para fazer endolaser?

Isso depende da extensão do tratamento planejado, dos procedimentos associados e da modalidade anestésica escolhida. Alguns casos são conduzidos em regime ambulatorial; outros envolvem internação de curta duração. A definição é feita durante o planejamento individual.

O que acontece com a veia depois que ela é fechada?

O segmento tratado deixa de conduzir sangue e passa por um processo de fibrose e reabsorção ao longo das semanas e meses seguintes. O sangue que passava por ali é drenado pelas veias saudáveis, principalmente pelo sistema venoso profundo.

Endolaser e radiofrequência são a mesma coisa?

São técnicas da mesma família, ambas baseadas em energia térmica aplicada dentro da veia, mas diferem na forma como a energia é gerada e distribuída. A escolha entre elas leva em conta a anatomia do caso e a avaliação do especialista.

Posso fazer o procedimento nas duas pernas de uma vez?

Em algumas situações sim, em outras opta-se por tratar uma perna de cada vez. A decisão considera a extensão do que será tratado, o tempo previsto, a modalidade anestésica e suas condições clínicas, e é individual.

Quer entender se o endolaser é uma opção para o seu caso? Agende uma avaliação com a Dra. Thacira Dantas, cirurgiã vascular e angiologista, e conheça o mapa venoso das suas pernas antes de decidir qualquer tratamento.

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