As varizes pélvicas são veias dilatadas dentro da pelve, na região dos ovários, do útero e dos plexos venosos ao redor, com o mesmo mecanismo das varizes da perna: válvulas que deixam de fechar e sangue que reflui, aumentando a pressão dentro da veia. Quando esse quadro provoca sintomas, principalmente dor pélvica crônica, recebe o nome de síndrome da congestão pélvica.

É um diagnóstico pouco lembrado e, por isso, frequentemente tardio: muitas mulheres convivem anos com dor atribuída a outras causas antes de a investigação olhar para as veias. A seguir estão os sintomas que costumam chamar atenção, os exames usados e as linhas gerais de tratamento, sempre lembrando que a definição depende de avaliação presencial com médico.

O que são varizes pélvicas e a síndrome da congestão pélvica

As veias ovarianas e as do plexo pélvico drenam os órgãos internos em direção às veias renais e à veia cava. Elas também têm válvulas e também podem dilatar e refluir. Quando isso acontece, o sangue se acumula nos plexos ao redor do útero e dos ovários e a pressão venosa local permanece alta.

Vale separar duas coisas. Encontrar veias pélvicas dilatadas em um exame de imagem não significa, por si só, que exista doença: parte das mulheres tem esse achado sem qualquer sintoma. A síndrome da congestão pélvica é o conjunto de sintomas que pode acompanhar essa congestão venosa, e é esse conjunto, somado ao exame, que orienta a conduta. É também por isso que não se trata uma imagem isolada.

O mecanismo é o mesmo da doença venosa das pernas, descrito em como funciona a circulação venosa. Em algumas mulheres, as duas situações convivem: existe refluxo pélvico que alimenta varizes que aparecem na raiz da coxa, na nádega ou na região genital.

Por que atinge sobretudo mulheres que já engravidaram

A gestação combina vários fatores que sobrecarregam as veias pélvicas ao mesmo tempo: o volume de sangue circulante aumenta, as veias da pelve se dilatam para acomodá-lo, o útero em crescimento comprime as veias da região e os hormônios relaxam a parede venosa. Depois do parto, nem sempre as veias voltam ao calibre anterior, e válvulas distendidas podem permanecer incompetentes.

Por isso o quadro é descrito com mais frequência em mulheres em idade reprodutiva que já tiveram uma ou mais gestações, e os sintomas tendem a aparecer ou piorar depois delas. Outros fatores citados são predisposição familiar para doença venosa, variações anatômicas que dificultam a drenagem das veias renal esquerda ou ilíaca e rotinas com longos períodos em pé.

Depois da menopausa, com a queda do estímulo hormonal, é comum que os sintomas se atenuem, embora as veias dilatadas continuem existindo.

Sintomas: o que costuma chamar atenção

O sintoma central é a dor pélvica crônica, em geral descrita como peso, pressão ou dor surda em baixo ventre, presente por meses. O padrão que mais aponta para causa venosa é o de piora ao fim do dia, com o tempo em pé ou sentada, e alívio ao deitar e elevar as pernas, exatamente a lógica da pressão venosa.

Outros achados frequentemente relatados:

Nenhum desses sintomas aponta sozinho para as varizes pélvicas. O que costuma levantar a hipótese é a combinação: dor pélvica de longa data com padrão postural, piora cíclica e varizes em topografia incomum.

Por que o diagnóstico demora e quais exames são usados

A dor pélvica crônica tem muitas causas possíveis, e a maioria é investigada antes das veias: endometriose, adenomiose, miomas, aderências, cistos, quadros intestinais, causas urinárias e dor musculoesquelética do assoalho pélvico. Como a congestão pélvica não altera exames de rotina e as veias dilatadas ficam fora do campo de atenção habitual, é comum que a investigação se encerre sem explicação.

Outro ponto é que parte dos exames convencionais é feita com a paciente deitada, posição em que as veias pélvicas esvaziam e podem parecer normais. Por isso a avaliação específica leva em conta a posição e manobras que aumentam a pressão abdominal.

Exame Para que é usado Observações
Ultrassom pélvico e transvaginal com Doppler Primeira linha; avalia calibre das veias, presença e sentido do fluxo, e descarta outras causas de dor Depende de técnica apropriada e pode subestimar o quadro com a paciente deitada
Ultrassom Doppler das veias dos membros inferiores Mapeia refluxo nas pernas e identifica veias alimentadas por origem pélvica Útil quando há varizes na raiz da coxa, nádega ou região genital
Angiotomografia ou angiorressonância de pelve Mostra a anatomia das veias ovarianas, ilíacas e renais e eventuais compressões Ajuda a planejar o procedimento quando há indicação
Flebografia pélvica Estudo invasivo com contraste dentro da veia, que avalia refluxo em tempo real Costuma ser feita no mesmo momento do tratamento endovascular
Avaliação ginecológica e exame físico dirigido Investiga ou exclui outras causas e localiza pontos de dor Parte indispensável do raciocínio, não um passo opcional

Linhas gerais de tratamento, incluindo embolização

A conduta depende da intensidade dos sintomas, do mapeamento, do desejo de gestar e das outras causas de dor que coexistem. Em quadros leves, o cuidado pode se concentrar em suporte: atividade física, compressão quando há varizes nas pernas, fisioterapia do assoalho pélvico e controle da dor conduzido pelo médico.

Há opções medicamentosas estudadas para reduzir sintomas de congestão venosa, incluindo medicações de ação hormonal e venotônicos. São alternativas que exigem prescrição e acompanhamento, porque têm contraindicações e efeitos adversos próprios, e a escolha é individual. Nada disso se automedica.

O tratamento mais associado ao quadro é a embolização das veias pélvicas, um procedimento endovascular. Por punção em uma veia, geralmente na virilha, no braço ou no pescoço, um cateter fino é levado até as veias ovarianas e pélvicas com refluxo, guiado por raio X. Ali são colocados materiais que fecham a veia doente, como molas metálicas, agentes esclerosantes ou uma combinação deles. O sangue passa a drenar pelas veias competentes, e o objetivo é reduzir a pressão nos plexos pélvicos.

É feito em geral com anestesia local e sedação, com internação curta na maior parte dos casos. Dor em cólica nos primeiros dias é esperada pela reação da veia tratada. Entre os riscos descritos estão reação ao contraste, hematoma na punção, deslocamento do material usado, dor persistente e, menos comum, trombose. A resposta varia de pessoa para pessoa, e parte das mulheres mantém alguma dor, sobretudo quando há outra causa associada.

Quando existe compressão venosa importante, como nos casos em que a veia renal esquerda ou a veia ilíaca estão comprimidas, a abordagem pode envolver outras técnicas endovasculares. E quando há varizes nas pernas alimentadas pela pelve, o plano costuma prever a sequência correta: tratar a origem antes das veias visíveis, raciocínio detalhado nas opções de tratamento de varizes.

Pontos-chave

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Perguntas frequentes

Varizes pélvicas têm relação com varizes nas pernas?

Podem ter. Em parte das mulheres, o refluxo pélvico desce por veias de conexão e alimenta varizes na raiz da coxa, na nádega ou na região genital. Esse é um dos motivos pelos quais varizes que reaparecem rápido depois de tratamento merecem investigação da origem pélvica.

Quem trata varizes pélvicas?

O cuidado costuma ser compartilhado entre a ginecologia, que investiga e acompanha outras causas de dor pélvica, e a área vascular, que avalia o refluxo venoso e conduz o tratamento endovascular quando indicado. Veja o que faz um cirurgião vascular.

A embolização impede uma gravidez futura?

A embolização atua em veias, não no útero nem nos ovários, e gestações após o procedimento são descritas. Ainda assim, o planejamento reprodutivo é parte da decisão e deve ser conversado antes, porque influencia o momento e a estratégia escolhida.

Dor pélvica crônica é sempre varizes pélvicas?

Não. Endometriose, adenomiose, miomas, aderências, causas intestinais, urinárias e do assoalho pélvico são possibilidades frequentes, e mais de uma pode coexistir. A investigação precisa considerar esse conjunto, e é isso que torna a avaliação presencial indispensável.

Quando devo procurar avaliação?

Quando a dor pélvica persiste por meses, piora ao fim do dia ou em pé, atrapalha sua rotina ou a vida sexual, ou quando aparecem varizes em vulva, nádega ou face interna da coxa. Também vale procurar quando já houve investigação sem explicação para a dor.

A avaliação com Dra. Thacira Dantas (CRM 6480), medicina vascular, permite examinar o componente venoso da sua queixa e definir, em conjunto com o acompanhamento ginecológico, qual caminho investigar.

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